O Coletivo é:

Alex Codeiro
(Ator, Arte - educador e técnico de palco)
Bruno Coringa (Ator)
Doc Câmara (Ator, Arte - Educador)
João Victor (Ator)
Henrique Fontes (Ator, Dramaturgo, Arte - Educador)
Paulo Lima (Ator)
Danúbio Gomez ( Ator, Diretor Musical)

Coletivo de Amigos:

Thiago Vieira (Cenógrafo e Arte-educador)

Daniel Rocha (Iluminador e Arte-educador)

Suelen Cunha (Produtora Cultural)

Max Pereira (Fotógrafo)

Release

O Coletivo Artístico Atores à Deriva surgiu no final de 2007 com o objetivo prioritário de troca de informações entre artistas de Natal que, ao longo dos últimos 20 anos, vêm desenvolvendo trabalhos nas áreas de teatro e música. Capitaneado por Henrique Fontes (ver currículo), o coletivo inclui 5 atores (Alex Cordeiro, Bruno Coringa, Doc Câmara, João Victor e Paulo Lima), um diretor e dramaturgo ex-integrante do premiado Grupo Clowns de Shakespeare e fundador do Grupo Beira de Teatro e 1 diretor musical (Danúbio Gomes), fundador e mantenedor do Projeto Pau-e-lata que hoje é sediado em Natal mas com ramificações por todo o Brasil e até na África.

Esses artistas se uniram por afinidade pessoal e crença na diversidade dos seus potenciais artísticos e decidiram experimentar uma linguagem cênica teatral como forma catalisadora dessa diversidade. O encontro foi uma excelente oportunidade de intercâmbio de conhecimentos e de possibilidades formativas para estes artistas que têm escassas condições de aprendizagem continuada na cidade de Natal, RN.O primeiro resultado artístico, a peça A Mar Aberto surge com uma força para além da cena, do texto e da música mais facilmente absorvidos ao se apreciar o espetáculo. A força desse trabalho reside nas entrelinhas, nos bastidores, na aposta de criação de uma atmosfera que seja a própria alma do fazer artístico e de uma vontade criadora independente de fontes de financiamento ou investimentos públicos.
Atores à Deriva faz sua primeira aparição em uma espécie de revolução pessoal e silenciosa. O resultado colhido na primeira temporada foi maior que a expectativa: o despertar da classe teatral e musical para assistir ao espetáculo; um número crescente de público (com necessidade de uma sessão extra no último dia); um crítico que, após anos, foi motivado pelo espetáculo para escrever; além de uma vontade vibrante dos artistas que compõem o Coletivo em continuar a pesquisa e o intercâmbio de saberes. Acreditamos que através desse encontro intencional e à deriva, algo novo/velho (re)nasce.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por Rodrigo Monterio - Porto Alegre

Me ensina a fazer tarrafa?
Por Rodrigo Monteiro
O Capitão chega para o Seu Zé Tarrafeiro e pede que lhe ensine a fazer tarrafas visto que não voltará ao mar. “A mar aberto” conta o que aconteceu no mar que fez com que, do capitão, apenas sua rede fosse se banhar.Eu agradeço a oportunidade do Coletivo de Atores à Deriva, do Rio Grande do Norte, para refletir sobre o meu blog, que completa nesse mês um ano e dez mil acessos. Um dia, numa Oficina da Maria Lucia Raimundo e num ensaio de Bailei na Curva, senti que preferia olhar o mar ao invés de me aventurar nele. Teatro quer mesmo dizer “Lugar de onde se vê” e, na platéia, ninguém pode me dizer que eu não faço teatro. Apenas, enquanto sentado na poltrona do Câmara, não divido com ninguém os instrumentos para a construção do espetáculo, recebendo-os apenas. São os atores e, antes deles, a concepção quem mos dá. E, no caso “A mar aberto”, recebo com muito carinho cada divisão só porque é com muito carinho que me é dada.Antes de começar, todas as luzes são apagadas. Todas: escuridão total. Hora de desligar as “lamparinas do juízo” para a história que começa. Você pode sonhar de olhos abertos, mas, quando fechados, seus olhos vêem apenas você mesmo. Quando se dá o início, é você quem está construindo o espetáculo, embora no caso dessa produção dramática em-tudo-aquilo-que-se-possa-dizer-sobre-drama, o espectador seja embalado num berço bem seguro.Henrique Fontes, que assina como dramaturgo e encenador, ocupa o espaço e o tempo da narrativa propondo uma coleção de signos que celebram o teatro, engrandecendo-o. Há um tempo atrás, numa outra crítica, falei sobre o que é teatro e o que não é teatro. Longe de chegar perto do esgotamento dessa discussão sem fim, em “A mar aberto” estão dispostas várias questões que podem trazer luz a essa reflexão. Fontes usa da linguagem teatral para tornar teatral ações e objetos existentes fora do universo fictício-narrativo. Cordas caem do teto, duas caixas, uma placa de isopor, roupas rasgadas e cabelos desgrenhados. Com a boca e as mãos, os atores produzem sons que marcam o ritmo, colorem a cena. Refletores iluminam partes e nunca o todo do palco: cada espaço é marcado no tempo como um momento que se relaciona a outros. Os cinco homens se movimentam em harmonia: passado e presente, barco e terra, sonho e realidade. Os tons das vozes, o olhar pontual, a boca de cada um compõe um desenho em que tudo encontra lugar nesse carro que carrega o sentido, que nos embala, como disse acima. O resultado é a paralisação: ficamos tomados pela história bem contada. Para mim, teatro é sempre sinônimo de homenagem. Você não está saindo de casa para ver um quadro, nem ligando um rádio do carro para ouvir uma música, ou acertando o microondas e escolhendo a legenda antes de assistir ao filme. O que há de teatral num concerto musical, num espetáculo de dança e numa peça é justamente a presença de seres humanos, tais quais os que se sentam na platéia, produzindo sementes de imaginação no palco. Quem apenas vê pegou guarda chuva, enfrentou fila, marcou encontro para assistir quem não só vê, mas faz. Quem apenas vê faz tarrafa para os pescadores que se aventuram no mar, trazendo de lá alimento para os daqui.“A mar aberto”, reconhecendo o trocadilho com o “Amar aberto”, merece a homenagem que o público que lhe faz. Aproximando os dois Rios Grandes, um dos atores se despede de todo mundo e de uma forma enternecedora dá boa noite inclusive para os técnicos. Após ver bolinhas de gude caindo do céu, mudanças de planos que beliscam o cinema (e Dias Gomes), um tom de voz que lembra o bom Riobaldo de Guimarães Rosa, escrever sobre isso tudo é um privilégio.No mar, os peixes não são vistos, não têm nome, não têm espécie. Quando a tarrafa é jogada e alguns deles vêm à superfície, o tarrafeiro, novo ou velho, se contenta.De tão contente que está, escreve.Ficha técnica:Texto e encenação: Henrique FontesElenco: Alex Cordeiro, Bruno Coringa, Doc Câmara, Paulo Lima, João VictorDireção e preparação musical: Danúbio GomesCenário e figurinos: Thiago VieiraIluminação: Daniel RochaProdução: Cristina Simon
isso é coisa de dídi jucá lá pelas 17:41
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0 ah é?!:

domingo, 9 de agosto de 2009

Agenda - A Mar Aberto

Dia 06 de Setembro - Festival de Guaramiranga - CE
Dias 09, 10 e 11 de Setembro - Porto Alegre em Cena - RS
Dia 12 de Setembro - Caxias do Sul - RS
Dia 28 de Setembro - Festival Palco Giratório em Campina Grande-PB

Imagens da nossa última apresentação em Recife




Fotos de Lucas Emanuel - Recife 2009


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Confirmado POA em Setembro!!!

Próxima edição do Em Cena já confirmou 44 espetáculos

A 16ª edição do festival internacional de teatro Porto Alegre Em Cena já tem 44 espetáculos confirmados, sendo 22 internacionais e 22 nacionais. O evento acontece entre os dias 8 e 21 de setembro. Entre as atrações estrangeiras estão produções de dez países.
Alemanha, Argentina (4), Canadá (3), Chile (2), Colômbia, França (3), Itália, Israel, Portugal e Uruguai (3). Os espetáculos nacionais virão de sete estados: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco (4), Rio de Janeiro (5), Rio Grande do Norte, São Paulo (9) e um do Rio Grande do Sul.

PORTO ALEGRE EM CENA (DE 8 A 21 DE SETEMBRO)

Espetáculos Internacionais (22)

Hamlet Machine - Alemanha
Casa de Muñecas - Argentina
Luisa se estrella contra su casa - Argentina
Madre Impalpable - Argentina
Tercer Cuerpo - Argentina
Crépuscule des Océans - Canadá
In Paradisum - Canadá
Kiss Bill - Canadá
Diciembre - Chile
Neva - Chile
Simplesmente el fin del Mundo - Colômbia
Grande Inquisidor - França
La Douler - França
Quartett - França
Giacomina - Itália
Van Gogh - Israel
Ruas - Portugal
The Voca People - Uruguai
El Ultimo Fuego - Uruguai
Frida Khalo - Uruguai

Espetáculos Nacionais (23)

Batata! - BA
Dolores - MG
Ato - PE
Tempo Fragmento - PE
Dúplice - PE
Fio Invisível - PE
A Mulher que escreveu a Bíblia - RJ
Medida por Medida - RJO Dragão - RJ
O Silêncio dos Amantes - RJ
Qualquer Coisa de Intermédio - RJ
A Mar Aberto - RN
Cru - RS
A Noite do Barqueiro - SP
Leo Cavalcanti - SP
Les Noces - SP
Nestrovski, Tatit & Wisnik - SP
O Princípio do Espanto - SP
O Zoológico de Vidro - SP
Pequenas Coisas - SP
Rainha[(s)] - SP
Senhora dos Afogados - SP

http://www.poaemcena.com.br/

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Festival Palco Giratório em Recife





A Mar Aberto estará em Recife nos dias 09 e 10 de Maio participando do Festival Palco Giratório 2009.



FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO COMEÇA NESTE FIM DE SEMANA
Terceira edição do projeto acontece de 02 a 30 de maio,trazendo 37 espetáculos, de 37 companhias, vindas de 9 Estados do país,com apresentações em diversos pólos no centro e periferia da cidade.

Interação, intercâmbio de experiências e regionalidades, convivência de ideias, intersecção de diferenças, mistura de sotaques e linguagens, além de acesso democrático à cultura. Isso e muito mais aguarda os recifenses neste mês de maio, que será marcado pela terceira edição do Festival Palco Giratório Brasil – Recife, o maior festival de artes cênicas do Brasil. Ao todo, serão 30 dias de programação, onde serão mostrados 37 trabalhos de 37 companhias de nove estados diferentes, tendo início no próximo sábado (02/05).
Das companhias convidadas pela coordenação local, uma é do Rio Grande do Norte e 20 são de Pernambuco, das cidades do Recife, Arcoverde, Igarassu, Cabo de Santo Agostinho e Petrolina. Elas se juntarão aos 16 grupos selecionados pela curadoria nacional do projeto para compor a programação do Festival Palco Giratório Brasil-Recife 2009. Essa junção de variados estilos brasileiros, junto com o nosso tempero artístico, torna o Festival um evento mais rico para a cidade que o recebe, espalhando cultura para todos os cantos, gostos e idades.
Um dos destaques desta edição, é a participação do Coletivo Angu de Teatro no circuito nacional do projeto Palco Giratório. Depois de dois anos sem uma produção pernambucana na circulação pelo Brasil, o Coletivo Angu de Teatro foi selecionado pela curadoria nacional, formada pelos técnicos de cultura do Sesc de todos os Estados brasileiros. Eles participam com as montagens, Rasif, mar que arrebenta, e Angu de Sangue e irão fazer apresentações em festivais do Palco Giratório em todo o país, além de circular na 4ª etapa do projeto pelos Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.
Outra novidade do festival no Recife é a ampliação dos pólos descentralizados no centro e regiões periféricas da cidade, facilitando o acesso da população de todos os níveis sociais. “A Praça do Campo Santo, em Santo Amaro, receberá uma mostra de teatro de rua e se tornará num espaço para agregar a comunidade local. A cada apresentação, um cortejo teatral percorrerá as ruas convocando pessoas de todas as idades que moram no bairro para o encontro circular em torno da poesia, da reflexão, do sonho conjunto”, anuncia Galiana Brasil, coordenadora geral do Palco Giratório em Pernambuco. Os espetáculos poderão ser vistos ainda nos Teatros Apolo, Armazém 14, Barreto Júnior, Capiba, Santa Isabel, Hermilo Borba Filho, além da Escola Pernambucana de Circo e na unidade do Sesc Santa Rita.
Drama, circo, comédia, dança, musical, formas animadas, teatro adulto, infantil e de rua formam este leque cênico oferecido ao espectador, que participará ativamente da programação, seja interagindo, sorrindo, se emocionando, se surpreendendo ou aplaudindo. Para os que ainda tiverem fôlego e quiserem mergulhar profundamente neste universo, serão oferecidas Atividades Formativas gratuitas para que o público possa interagir com os grupos, são bate-papos com os artistas após os espetáculos, lançamento literário, pensamento giratório, fórum e seminário de dança .
A fim de estimular a presença do grande público a ter e manter o contato com a arte, os preços são populares e os ingressos podem ser adquiridos no local de cada espetáculo, ao valor de R$ 10,00 (público em geral) e R$ 5,00 (comerciários e dependentes com carteira do Sesc, estudantes, idosos e professores). As apresentações na Praça do Campo Santo, em Santo Amaro, e na Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, são gratuitas.

ESPETÁCULOS

09/05 20h - A Mar Aberto/ Coletivo Artístico Atores à Deriva (RN) - Teatro Barreto Júnior
10/05 A Mar Aberto/ Coletivo Artístico Atores à Deriva (RN) - Teatro Barreto Júnior 20h
Maiores informações:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Novas imagens...


















Imagens captadas pelas lentes sensíveis de Canindé Soares e pelo pessoal do Em Cena.










Sobre nós...3


Amar e malamarFevereiro 17, 2009 – 7:42 am

Gostaria de ter ido A mar aberto antes do último sábado. De volta a Natal, a peça de Henrique Fontes lotou por duas noites a Casa da Ribeira no final de semana anterior. Minha intenção era ter ido à primeira noite e escrever a respeito, para quem quisesse alguma opinião, antes da apresentação de domingo. No entanto, só pude ir na semana seguinte, graças a uma sessão extra. E fiquei mesmo com vontade de tê-la visto antes para aproveitar melhor. Por outro lado, vendo a que terá sido, por um bom tempo, a última apresentação, sinto-me mais à vontade para falar sem estragar qualquer surpresa que possa existir para quem ainda pretenda assisti-la.
Já havia escutado algumas opiniões sobre A mar aberto. Todas do tipo “gostei” ou “não gostei”. Se ainda não assisti, prefiro não saber mais que uma ou duas linhas. Até sinopses de divulgação, para mim, costumam ter informação em demasia. Gosto de ir virgem ou semi a peças e filmes. Não costumo me influenciar por críticas e se isso chega a acontecer geralmente funciona às avessas: se dizem que é bom, desconfio; se dizem que é ruim, já começo a gostar. Não sou do contra. É mera observação de costumes. Em Natal, onde morei por muitos anos e tenho vários amigos em diversas áreas artísticas, não costumo errar quanto ao posicionamento do público em relação a um espetáculo.
Em geral, o público natalense quer entretenimento, quer se divertir. Quando vai ao teatro, deseja rir. Não é à toa que comédias e shows de humor costumam lotar por aqui. A parcela de espectadores que vai ao teatro querendo ver algo diferente do seu próprio mundo, pensar a respeito, aprender algo novo ou pensar outras possibilidades é mínima. Quem sai de casa para se divertir deve procurar algo que já conheça, que lhe agrade e seja certeza de risadas e relaxamento. Quem vai ao teatro deve estar preparado para se jogar em um abismo, entrar sozinho na noite mais escura ou encarar o mar aberto sem nunca antes ter passado da arrebentação.
Em relação à peça de Henrique, havia ouvido mais “não gostei” do que “gostei”. Já comecei a gostar dela a partir daí. Com a anterior, Pobres de marré, foi o contrário. Apesar das atuações sempre merecedoras de elogios de Titina Medeiros e Quitéria Kelly, achei que o texto e a direção, mesmo que sutilmente, levavam ao humor em momentos extremamente graves. Se Henrique tivesse pesado a mão, a peça teria menos público, menos gente falando bem dela e teria sido bem melhor. Em A mar aberto, parece ter havido um cuidado maior em manter o tom. Mesmo quando existe troça entre os personagens, não acontece o riso da plateia, já suficientemente envolvida com o drama.
A história se passa em ambientes comuns a pescadores, o que já dá certa gravidade e um posicionamento mais distante – e nesse caso benéfico – dos espectadores. A história é centrada nos sentimentos de seu José Hermílio (Doc Câmara), chefe de uma embarcação, pelo jovem Julio de Joana (João Victor), que aparece querendo se tornar pescador. Surpreendido pela afeição que sente pelo garoto, o homem se pergunta: “o amor pode vir do demo?”. Algo tão diferente do mundo e dos parâmetros aos quais está acostumado, não pode ser coisa boa. “Será que a maldade se veste de amor?”, “O tinhoso sabia se disfarçar para fazer o mal”, diz o capitão, em conflito com a nova realidade. Diante do inesperado, a primeira reação é negar, rejeitar: “Eu quis ter raiva daquele menino que largou os estudos para me ensinar o caminho do mal”. E, acostumado a ter o controle de tudo, arremata: “Com que autoridade?!”. A história se desenrola ainda com a ajuda de outros três pecadores que também funcionam como vozes interiores de seu José. É através de um deles que se lança o incentivo a viver o desejo: “E com medo de se afogar, você vai deixar de tomar banho?”.
Em certo instante da conversa consigo mesmo, com alguém mais experiente ou com um qualquer a quem pede ajuda, José Hermílio lembra de quando sua filha passa na faculdade e se desculpa por isso, por ir “morar na cidade”. Esse parece ser o ponto em que o pescador começa a entender o processo que está vivendo. É também aí que, quem da plateia ainda não caiu na rede, se identifica. Quem não viveu um momento de dúvida e medo no qual aquilo que lhe parece certo, que parece ser o caminho para sua felicidade, talvez fosse melhor ser evitado para não gerar conflito entre os seus? É comum se desculpar por tentar cumprir seu destino, por querer o melhor para si, somente pelo medo da reação de terceiros. A resposta à culpa prévia que nos acostumamos a carregar também é dada na peça: “o mar só condena quem quer ser condenado”.
Apesar de densa, a história é mostrada de forma suave. Talvez o beijo dos personagens e o rápido e discreto nu de um dos pescadores incomodem aos mais pudicos, mas se isso acontece é porque a peça está cumprindo sua função e faz o espectador encarnar o personagem principal: E se eu sentisse um desejo assim? E se eu tivesse que me desnudar dessa forma?
As dúvidas existenciais, de seu José e de qualquer um de nós, continuam mesmo quando a história termina. “Será que ele existiu mesmo ou foi coisa de minha cabeça? Será que a gente pode viver uma coisa que nunca existiu?”. Os que têm coragem de amar aberto que respondam.